15.10.08

Batman pra Locadora




Ví váááárias vezes no cinema, agora aguardo ansiosamente pelo DVD e os tão sonhados EXTRAS.

Quem ainda não viu, corra fazer sua reserva na locadora. No último episódio de Batman, Christian Bale – agora menos exigido dramaticamente e mais fisicamente – faz sua vez como o mais obscuro dos super-heróis. Ele reina na escuridão, mas as luzes que o abandonaram para contribuir com a construção desse Batman total trevas, não se apagaram, elas apenas mudaram de direção e iluminaram em outro sentido.

Iluminado é mesmo a palavra certa para defini-lo. Um dos mais famosos vilões de Batman acaba de ganhar uma versão inesquecível. Os fãs do homem morcego (e aqueles que vão ao cinema apenas por curiosidade) serão coroados com uma das mais brilhantes atuações do ator HEATH LEDGER, que interpreta o malvadão sarcástico Coringa em 'Batman – O Cavaleiro das Trevas'.

O personagem maléfico toma conta de tudo (inclusive do ator) e transborda em terror, pânico, crueldade e loucura. No tom certo, é claro, e sem nenhuma nota dissonante, o vilão é como música. Sozinho é o maestro que conduz a trama e o enredo. Genial enredo, diga-se de passagem, que sob a tutela de Nolan dá conta do recado. Mas é inegável, quem brilha mesmo é Heath Ledger, que deixa-nos em seu último trabalho seu valor como genial ator que foi.

Não dá pra se fazer de cego

Quem leu a obra [complexa e rica] de José Saramago duvidava que seria possível adaptá-la para a tela grande. A falta de nome dos personagens seria o de menos. "Como transportar as sensações desenhadas pela linguagem escrita do autor português para a sala escura? A cegueira na qual fomos submersos naquelas páginas? Como será possível" era o que perguntávamos todos.

A resposta não veio nem com a confirmação de Meirelles encabeçando o projeto de adaptar ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA pois até dele duvidamos. Nem ele, com sua câmera nervosa e sua fotografia plástica inspirou confiança.

Felizmente, nosso diretor mais uma vez prova que talento não tem lingua ou raça. Ele não só adaptou belissimamente a obra de um dos maiores gênios da literatura mundial, como acrescentou a ela indícios de sua perspicácia enquanto homem das artes quando transformou a fita em uma material sem origem étnica.

Diferentemente do que vimos em "Amor nos Tempos do Cólera", aqui a lingua portuguesa não faz falta. O idioma inglês transformou-se em mera formalidade diante da avassaladora história que ia se apresentando nas mais de duas horas de filme.

Rodado no Canadá, Hong Kong, Brasil (em uma das mais belas sequências da cidade de São Paulo no cinema) o longa traz no elenco a mesma diversidade étnica: Julianne Moore, Mark Ruffalo, Gael Garcia Bernal, Alice Braga, Danny Gloover, Yusuke Yseya, todos espantosamente magníficos!

O que o diretor fez com a câmera é poesia. Através dela, revelou a natureza pérfida do ser humano, criou uma alegoria sobre a sociedade contemporânea de tamanha grandeza que torna impossível uma análise simplista, única. O filme fala de quê? De tudo! O melhor mesmo é fechar os olhos para enxergar aquilo que sempre esteve à vista de todos.

O filme é visceral. Não há concessões a se fazer. Se o Oscar fosse justo, eu já teria meu candidato!

14.10.08

Dor de ESTÔMAGO


Sentei para saciar minha fome de filme. As luzes apagaram-se e 1h52min depois acenderam novamente. Eu estava tremendamente satisfeito, de bucho cheio! O banquete foi pleno, encheu os olhos, os ouvidos e o coração.

ESTÔMAGO, de Marcos Jorge é um filme inteligente, divertido e surpreendente. O sempre excelente João Miguel delicia-nos com a sinceridade e simplicidade com a qual encarna o cozinheiro Raimundo Nonato.

Direção impecável, trilha convidativa, fotografia crua o suficiente para não se aparecer mais que o próprio filme.

Com uma trama simples e intrigante, essa fita pode (e vai) te surpreender durante a compreensão daquilo que parece ser óbvio, mas vai além da apresentação superficial. É um prato completo, elaborado e muito fino e que vai te dar muita dor de estômago ao mostrar um pouco, do que é a natureza humana. Recomendado para os melhores paladares, acompanhado de um ENO para quem possa precisar.